Quem vende em marketplace descobre o estouro do MEI quase sempre do mesmo jeito: fecha a conta em dezembro, soma Shopee, Mercado Livre e TikTok Shop pela primeira vez no ano e percebe que passou do teto há meses. O problema é que o efeito desse estouro não é o mesmo para todo mundo — existe uma linha divisória clara, e cair de um lado ou do outro dela muda bastante o tamanho do prejuízo.

O limite do MEI em 2026 continua em R$ 81 mil

O teto de faturamento do MEI (Microempreendedor Individual) em 2026 é de R$ 81.000 por ano, o que dá uma média de R$ 6.750 por mês. É o mesmo valor em vigor desde 2019.

Existe um projeto em tramitação — o PLP 186/26, enviado ao Congresso — que propõe elevar o limite nos próximos anos. Mas atenção a um ponto que vira boato fácil em grupo de vendedor: o projeto ainda não foi aprovado. Enquanto ele não passar pelo Congresso, o número que vale para o seu planejamento de 2026 é R$ 81.000. Os valores propostos e o estágio da tramitação estão em limite do MEI em 2026 e o PLP 186/26.

As duas faixas de estouro: até 20% e acima de 20%

A regra separa quem passou um pouco de quem passou muito. O divisor é 20% acima do teto, ou seja, R$ 97.200 (R$ 81.000 + 20%).

Faturamento no ano Situação Quando o desenquadramento passa a valer
Até R$ 81.000 Dentro do limite Nada muda
De R$ 81.000,01 até R$ 97.200 Excesso de até 20% A partir de janeiro do ano seguinte
Acima de R$ 97.200 Excesso maior que 20% Retroativo ao início do ano, com imposto recalculado pelo Simples Nacional

Estouro de até 20%: você tem tempo de se organizar

Se o faturamento do ano ficou entre R$ 81.000,01 e R$ 97.200, o desenquadramento vale a partir de janeiro do ano seguinte. Na prática, isso significa que o ano que passou continua sendo tratado como MEI, e você tem uma virada de ano inteira para ajustar o novo enquadramento, a forma de apurar imposto e o preço dos seus produtos.

É a versão "cara, mas administrável" do problema. O erro comum aqui é achar que, por não haver efeito retroativo, dá para ignorar o assunto e seguir vendendo como MEI no ano seguinte — não dá.

Estouro acima de 20%: a conta volta para janeiro

Passou de R$ 97.200 e o cenário muda de natureza. O desenquadramento é retroativo ao início do ano, e o imposto do período é recalculado pelas regras do Simples Nacional. Ou seja: aquele ano que você viveu pagando uma guia mensal fixa de MEI passa a ser reavaliado como se você já fosse uma empresa em outro regime desde o primeiro dia.

Isso costuma pegar de surpresa exatamente o vendedor que teve um bom ano — uma campanha que estourou, uma live que vendeu muito, um produto que viralizou. O caixa já foi usado para comprar estoque, e a diferença de imposto aparece depois.

O detalhe que muita gente ignora: o que caiu no CPF também conta

Aqui está a mudança que mais tem derrubado vendedor desatento. A Resolução CGSN nº 183/2025 alterou a forma de calcular o faturamento: a renda da pessoa física ligada à atividade passa a somar ao faturamento do CNPJ do mesmo titular. Traduzindo para o dia a dia de quem vende online: venda recebida no CPF conta como receita bruta do MEI.

Então aquele Pix de cliente que caiu na conta pessoal, a venda combinada pelo direct, o pedido entregue em mãos na cidade — se está ligado à sua atividade, entra na soma. Se você ainda está decidindo como formalizar suas vendas, vale ler antes o comparativo sobre vender na Shopee com CPF ou CNPJ e o guia sobre MEI vendendo na Shopee.

Como calcular quanto falta para o teto

São três contas simples, e o ideal é refazê-las todo mês:

  1. Acumulado do ano: some tudo o que você vendeu de janeiro até o mês fechado — todos os canais, mais o que entrou no CPF.
  2. Saldo até o teto: R$ 81.000 menos o acumulado. É quanto ainda cabe no ano.
  3. Projeção: divida o acumulado pelo número de meses já fechados e multiplique por 12. Esse é o ritmo que você está mantendo.

Um exemplo concreto. Suponha que, ao fechar agosto (8 meses), você acumulou R$ 62.000:

  • Saldo até o teto: R$ 81.000 − R$ 62.000 = R$ 19.000 para os 4 meses restantes, ou R$ 4.750 por mês.
  • Ritmo atual: R$ 62.000 ÷ 8 = R$ 7.750 por mês.
  • Projeção do ano: R$ 7.750 × 12 = R$ 93.000.

Nesse cenário, mantendo o ritmo, você fecharia o ano com cerca de R$ 12.000 de excesso — dentro dos 20%, com desenquadramento só em janeiro seguinte. Mas repare como a margem é curta: bastam duas semanas fortes em novembro para a projeção passar de R$ 97.200 e o estouro virar retroativo. Se o seu acumulado já passou dos R$ 81.000, a conta que importa é outra: quanto falta para os R$ 97.200.

Estourou o limite. E agora? Passo a passo

  1. Feche o número real antes de qualquer decisão. Some todos os canais e as vendas recebidas no CPF. Decisão tomada em cima de estimativa costuma sair errada.
  2. Identifique a faixa. Até R$ 97.200 ou acima disso — é essa linha que define se o efeito é a partir de janeiro ou retroativo.
  3. Chame o contador com os números na mão. Ele vai indicar o enquadramento e o regime que passam a valer, e qual é a diferença de imposto a acertar.
  4. Separe caixa. No estouro acima de 20%, a diferença recalculada não é uma despesa do mês que vem: ela olha para trás. Provisionar evita ter que queimar estoque para pagar imposto.
  5. Refaça o preço. Sair do MEI muda a carga tributária, e o preço que fechava a conta com a guia fixa pode não fechar mais. Some isso às comissões e taxas de cada canal — vale revisar quanto custa vender na Shopee antes de repassar valor ao cliente.
  6. Ajuste as obrigações. Emissão de nota, apuração e escrituração seguem regras diferentes fora do MEI. Se hoje você emite nota manualmente, esse é o momento de automatizar — a régua de quando emitir nota fiscal na Shopee ajuda a não deixar pedido sem documento.

Por que acompanhar mês a mês evita a surpresa

O estouro raramente acontece de forma linear. Ele se concentra no fim do ano: a Black Friday de 2026 cai em 27 de novembro, e novembro e dezembro costumam responder por uma fatia grande do faturamento anual de quem vende em marketplace. As projeções para o e-commerce brasileiro em 2026 apontam crescimento — ou seja, o cenário é de mais volume, não menos.

Quem só olha o extrato bancário tem duas fontes de erro somadas: o depósito do marketplace já vem líquido de comissão e frete, e as vendas espalhadas em quatro ou cinco canais nunca aparecem juntas em lugar nenhum. É por isso que um ERP ajuda: ele consolida os pedidos de todos os canais em um só lugar e mostra o acumulado do ano sem você precisar montar planilha no fim de semana. Na LOJEXA, esse acompanhamento fica junto dos pedidos e da emissão de nota, que é onde o número realmente nasce.

A recomendação prática é simples: defina três marcos de alerta no ano — 50%, 75% e 90% do teto (R$ 40.500, R$ 60.750 e R$ 72.900) — e revise a projeção sempre que bater um deles. Chegar em outubro sabendo que vai passar é um problema de planejamento. Descobrir em fevereiro do ano seguinte é um problema de caixa.

Comece a controlar antes de precisar

Estourar o limite do MEI não é, por si só, um desastre — vender mais é o objetivo. O que dói é ser pego de surpresa e descobrir a conta depois que o dinheiro já circulou. Crie sua conta na LOJEXA e centralize os pedidos de todos os seus canais para acompanhar o acumulado do ano em tempo real, ou veja os planos disponíveis para escolher o que cabe no seu volume de vendas.